
Sou apenas uma palavra dentro da gaveta.
Da pouca luz o que me resta,
Tudo é só tinta preta.
E o que sou?Talvez eu seja...
__ O silêncio.
Aquela palavra vã não dita sufocada, esmagada.
Pela alma que amamos.
Ou borrão que se deprecia sobre a derme
Como o gozo prazeroso um dia já jorrado.
Aquele grito interrompido pelo golpe ecooso,
Meio a via que escorre a chuva.
E pelas fendas de dedos tortos
Hoje escorre a tinta preta.
Que corrompe e constitui do silêncio
Ao silêncio.
Decompondo e descrevendo cada momento.
A luz de velas, se vão palavras, nem sempre faladas.
Pelas calçadas.
__ Descalças
__ Sujas.
__ Borradas.
Sem saber para onde vão
Escorrem caladas
Da mão para o papel,
Do papel para as mãos.
Das mãos para as gavetas.
Onde podem parar o tempo,
tornando-se a.
Eternidade no silêncio das palavras
Pretas.
De: Igor Sena



